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PAUSA PARA O CHÁ VERDE
Caros, algumas novidades. No dia 06 de abril, quinta-feira, às 19h, será realizado o recital Corpo a corpo com a poesia, na Casa das Rosas, com a participação de poetas como Virna Teixeira, Fabiano Calixto, Ana Rusche e Marcelo Montenegro, entre outros. O endereço? Não vou dizer, não! Quem ainda não sabe onde fica a Casa das Rosas, é muito mané! Outras coisas: já estão on line as novas edições das revistas eletrônicas Germina e Escritoras Suicidas; a Mnemozine e a Zunái estão saindo do forno, e tem blog novo no pedaço: o Algaravária, que reúne DEZ poetas brasileiros bem recentes e de qualidade: Daniel Sampaio, Paulo de Toledo, Thiago Ponce, Angélica Freitas, Carlos Besen, Carol Custódio, Pablo Araújo, Douglas Dias, Francieli Spohr e Daniela Ramos (vários deles já publicaram na Pele de Lontra ou na Zunái). Anote o endereço dessa nova nau de insensatos: http://algaravaria.blogspot.com. Ufa! Que mais? Pode não parecer, mas eu estou de férias! Vou atualizar este blog até o final da semana, depois vou me conceder três semanas de sumiço, que ninguém é de ferro. Sayonará,
Escrito por Claudio Daniel às 00h36
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Escrito por Claudio Daniel às 22h28
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SENDAS DE OKU (II)
Quando, em 27 de março, me pus à caminho, havia neblina no céu da madrugada. A pálida lua matutina tinha perdido o brilho, mas ainda se podia vislumbrar debilmente o monte Fuji. Em Ueno e Yanaka, os ramos das cerejeiras em flor me despertaram pensamentos tristes ao perguntar-me se algum dia os voltaria a ver. Meus amigos mais queridos tinham todos vindo à noite na casa de Sampu, para poder me acompanhar durante o curto trecho de viagem que eu faria em barco. Quando desembarcamos num lugar chamado Senju, a idéia de começar uma viagem tão longa me encheu de tristeza. De pé sobre o caminho que talvez ia nos separar para sempre nesta vida que é como um sonho, chorei lágrimas de despedida:
primavera
não nos deixe
pássaros choram
lágrimas
no olho do peixe
(Tradução: Paulo Leminski, in Bashô, a lágrima do peixe, ed. Brasiliense, 1983)
Escrito por Claudio Daniel às 22h26
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marescuro
gaivotas: gritos
vagamente brancos
(Tradução: Haroldo de Campos)
Escrito por Claudio Daniel às 21h23
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SENDAS DE OKU
Luas e sóis (meses e dias) são viajantes da eternidade. Os anos que vêm e se vão são viajantes também. Os que passam a vida a bordo de navios ou envelhecem montados a cavalo estão sempre de viagem, e seu lar se encontra ali onde suas viagens os levam. Os homens de antigamente, muitos, morreram pelos caminhos, e a mim também, durante os últimos anos, a visão de uma nuvem solitária levada pelo vento me inspirou contínuas idéias de meter o pé na estrada. O ano passado dediquei a vagar pela costa. No outono, voltei a minha cabana, às margens do rio, e a limpei das teias de aranha. Aí, me surpreendeu o fim do ano. Quando veio a primavera e houve neblina no ar, pensei em ir a Oku, atravessando a barreira de Shirakawa. Tudo o que via me convidava a viajar, e estava tão possuído pelos deuses que não podia dominar meus pensamentos. Os espíritos do caminho me faziam sinais, e descobri que não podia continuar trabalhando. Remendei minhas calças rasgadas e troquei as tiras do meu chapéu de palha. A fim de me fortalecer as pernas para a viagem, me untei de moka queimada. Logo a idéia da lua na ilha de Matsushima começou a apoderar-se de meus pensamentos. Quando vendi minha cabana e me mudei para o sítio de Sampu para esperar ali o dia da partida, pendurei este poema numa viga da minha choça:
a cabana de ervas secas
(o mundo tudo muda)
vira casa de bonecas
(Fragmento inicial de Sendas de Oku, de Matsuo Bashô, em tradução de Leminski.)
SOBRE O LIVRO: Este importante diário de viagens do poeta japonês, recheado de haicais e de histórias e lendas tradicionais ouvidas pelos caminhos, foi traduzido no final dos anos 70 por Olga Savary, a partir da versão espanhola de Octavio Paz, e publicado pela saudosa editora de Roswita Kempf. O volume, é claro, está esgotado há muito tempo. No final dos anos 90, o diário de Bashô recebeu nova tradução de Alberto Marsicano, com o título Trilha estreita do confim, e foi publicado pela editora Iluminuras. O título ainda se encontra disponível em livrarias.
Escrito por Claudio Daniel às 21h21
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