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Escrito por Claudio Daniel às 21h20
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OUTRA POETA DO CULTO DE SHIVA
I
não por uma duas três quatro
mas por 84.000 bucetas
eu vim
e vim
percorrendo mundos impossíveis
encharcada
de prazer e dor
quantas vidas anteriores
eu tenha tido
tenha piedade
hoje
só hoje
senhor branco-jasmim
(CONTINUA EMBAIXO)
Escrito por Claudio Daniel às 21h19
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II
o que é para amanhã
que venha hoje
o que é para hoje
que venha já
meu senhor branco-jasmim
não me venha com “vamos ver”
III
você cavalga montanhas de safira
calçando sandálias de pedra lunar
soprando longas trombetas
quando vou apertá-lo
nos potes dos meus peitos?
(Poema da indiana Madeviaca, século XI a. C. traduzido por Décio Pignatari. Do livro 31 Poetas, 214 Poemas, da editora Companhia das Letras.)
Escrito por Claudio Daniel às 21h18
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Escrito por Claudio Daniel às 23h18
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UM POETA-SANTO DO CULTO DE SHIVA
do meu corpo um alaúde da minha cabeça a caixa
de meus dedos faz tarraxa meus nervos sejam fios
então pega e me toca toca em mim
tuas (uma duas três quatro cinco) trinta e duas canções
senhor dos entrerios
(Poema do indiano Basavana, século XI a. C, traduzido por Paulo Leminski.)
Escrito por Claudio Daniel às 23h16
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OM NAMAH SHIVAYA
Shiva, representado com uma lua crescente no cabelo, uma serpente naja em volta do pescoço e o tridente que representa os três mundos. A seu lado, a esposa Parvati e o filho Ganesha (deus com cabeça de elefante), e próximo a seus pés, o touro Nandi, que lhe servia de montaria. A arte tântrica shivaísta usava uma abundância de símbolos, inclusive eróticos (como o Lingan, ou falo ereto, símbolo de Shiva, e a Yoni, ou vagina, símbolo de Parvati); cenas sensuais eram comuns na poesia e nas artes visuais tântricas, onde o êxtase do corpo simbolizava o estado de imersão total da alma na divindade.
Escrito por Claudio Daniel às 22h32
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DO SRI ISOPANISHAD
(YAJUR-VEDA)
(sloka 5)
tad ejati tan naijati
tad dure tad v antike
tad antarasya sarvasya
tad u sarvasyasya bahyatah
está aqui, ali, além
está dentro de mim
está além de tudo
está fora de mim
(Tradução: Claudio Daniel)
Escrito por Claudio Daniel às 17h30
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SOBRE OS VEDAS
Os Vedas são os livros sagrados da Índia, escritos há mais de cinco mil anos no idioma sânscrito. Esta obra, dividida em quatro partes (Rig, Sama, Yajur e Atharva), é uma coleção de hinos, preces, fórmulas mágicas e normas cerimoniais, para uso dos sacerdotes nos templos; nos capítulos chamados de upanishads encontram-se textos filosóficos sobre a natureza do Absoluto, ou Brahman. Segundo a tradição, no início havia um único Veda e seus versos eram transmitidos oralmente, sob a forma de canto, de mestre para discípulo; com o passar do tempo, como a memória dos homens foi ficando reduzida, assim como sua inteligência e a duração da vida, tornou-se necessário dividir os Vedas em quatro partes, e depois fixá-los na forma escrita. A filosofia ensinada nesta obra é a base do Vedanta, e toda a literatura religiosa indiana posterior (Ramayana, Mahabharata, Puranas etc.) tem como base esses ensinamentos dos rishis, ou poetas-videntes. No Brasil, não há muitas traduções confiáveis dessa literatura; quem estiver interessado pode procurar a tradução dos Upanishads por Swami Prabhavananda, que saiu pela Pensamento, ou o Sri Isopanisad, traduzido por Swami Prabhupada e editado pela BBT (que buscam interpretar o sentido religioso, e não recriar a forma literária). Com base nessas versões, fiz a tradução acima, com a intenção de recuperar um pouco do sabor poético do original. Esta estrofe, ou sloka, trata da natureza de Brahman, que está “dentro de tudo e fora de tudo”, é “maior do que o maior, menor do que o menor” e também é o mais rápido de todos, embora imóvel (paradoxos que recordam algumas noções de Tomás de Aquino e sua filosofia escolástica). O assunto é fascinante e dá pano para manga, mas vou finalizar aqui; este é um blog de poesia, não de metafísica. OM TAT SAT,
Escrito por Claudio Daniel às 17h30
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Vishnu, deus que conserva a ordem cósmica, é adorado por Lakshmi, a deusa da fortuna. Ele está reclinado sobre a serpente Sesha, e de seu umbigo sai a flor de lótus de onde nasceu Brahma, o criador dos mundos.
Escrito por Claudio Daniel às 20h56
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BHAGAVAD GITA, CAP. IX, 26-27
patrain puspain phalain toyain yo me bhaktya prayacchati
tad aham bhakty-upahrtam asnami prayatatmanah
yat karosi yad asnasi yaj juhosi dadasiyat
yat tapas yasi kaunteya tat kurusva mad-arpanam
(LEIA A TRADUÇÃO ABAIXO)
Escrito por Claudio Daniel às 20h55
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Se alguém quiser Me ofertar,
com amor e devoção,
fruta, folha, flor ou água
aceitarei a oferenda.
Ó descendente de Kunti,
o que quer que você faça,
o que quer que você coma,
o que quer que você dê,
bem como as austeridades
a que você se submeta,
tudo isso deve ser feito
como uma oferenda a Mim.
(Tradução: Rogério Duarte)
Escrito por Claudio Daniel às 20h54
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Krishna instrui Árjuna antes da batalha.
Escrito por Claudio Daniel às 20h53
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BHAGAVAD GITA, CAP. V, 18
vidya-vinaya-sampanne
brahmane gavi hastini
suni caiva sva-pake ca
panditah sama sarsinah
Na visão do sábio humilde
não existe diferença
entre o brahmane educado
o elefante, a vaca, o cão
e o comedor de cachorro.
(Tradução: Rogério Duarte)
Escrito por Claudio Daniel às 08h33
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Krishna revela sua forma universal a Árjuna.
Escrito por Claudio Daniel às 22h39
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BHAGAVAD GITA, CAP. VIII, 8-10
Ó descendente de Kunti,
Eu sou o gosto da água pura;
a luz do Sol e da Lua;
sou o OM dos mantras védicos;
sou o som vibrando no éter
e a habilidade do homem.
Eu sou o aroma da terra;
Eu sou o calor do fogo;
sou a vida do que vive;
e a penitência dos santos.
Árjuna saiba que eu Eu sou
a semente original
de todas as existências
a inteligência dos sábios
e o poder dos poderosos.
(Tradução do sânscrito por Rogério Duarte)
Escrito por Claudio Daniel às 22h36
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SOBRE O GITA
O Bhagavad Gita é um dos livros clássicos mais importantes da Índia. Trata-se de um poema de cem mil versos na forma de um diálogo entre o deus Krishna e o guerreiro Árjuna, no campo de combate de Kuruskshetra, pouco antes do início da batalha descrita no épico Mahabharata. Segundo os estudiosos, essa obra, que é a base da filosofia religiosa indiana, foi escrita há pelo menos cinco mil anos. Além de seu conteúdo ético e metafísico, o Gita é um poema altamente elaborado, com uso de assonâncias, aliterações, paronomásias, rimas internas e uma estrutura métrica e rítmica impecável, seguindo as normas do verso clássico sânscrito. Não é tarefa fácil traduzir um livro como este. Em português, a única versão que conservou algo da poeticidade do texto, sem trair a intenção espiritual, é a de Rogério Duarte, publicada pela editora Companhia das Letras, em 1998: Bhagavad Gita, Canção do Divino Mestre. Rogério optou por traduzir os versos numa métrica de sete sílabas, para conservar a musicalidade do texto original, sem rimas, mantendo a estrutura paralelística e os epítetos, obtendo um bom resultado como poesia em língua portuguesa. Junto com o livro, que conta com um interessante ensaio crítico e pequeno glossário de termos em sânscrito, vem também um CD com trechos do Gita cantados por Arnaldo Antunes, Gal Costa, Gilberto Gil, Arrigo Barnabé, Tom Zé, Péricles Cavalcante, Walter Franco e outras feras da MPB. Um trabalho musical belíssimo, que estabelece o diálogo entre a antiga cultura védica e a tradição de nossa música popular.
Escrito por Claudio Daniel às 22h34
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