Cantar a Pele de Lontra




Escrito por Claudio Daniel às 18h39
[   ] [ envie esta mensagem ]




A POESIA ÁRABE CLÁSSICA

 

"Os poemas árabes apresentavam características comuns: eram todos escritos e metrificados segundo as conhecidas normas da língua e da prosódia clássicas, e, quanto à forma, eram na maioria das vezes longos, sempre estíquicos, isto é, sem estrofes, e tinham uma só rima do primeiro ao último verso. Mais ainda: eram designados por um nome genérico, qasida, ou qasa’id no plural, designação essa que fazia remontar aos primeiros poemas que se sabem escritos em árabe, conhecidos como qasa’id ajjahiliyya, ou seja, poemas do período anterior ao Islão (século VII). (...) Nas gerações futuras, o termo passava a referir, indistintamente, qualquer texto poético concebido nos moldes clássicos, ou seja, longo, estíquico, monorrimo e com um dos dezesseis ritmos do arud, a métrica definida no Oriente desde o século VIII. (...) Porém, a forma mais generalizada da poesia clássica foi o gênero conhecido como muwaxxaha. (...), concebido num prelúdio (matla) seguido de cinco estrofes, em cuja última se inseria uma karja, isto é, versos finais escritos não mais no clássico como no restante do poema, mas no árabe vulgar ou romance aljamiado, escrito com caracteres árabes. A estrofe (bayt) mais simples da muwaxxaha era formada de cinco versos (ajza), cujos três primeiros levavam uma rima comum (bbb), enquanto que os dois últimos retomavam a rima (aa) do prelúdio (AA). Como na mudança de uma estrofe a outra os primeiros três versos alteravam também a rima (ccc, ddd etc.), eles passaram a ser chamados, na terminologia européia, de ‘mudança’ (gusn). (...) Ao contrário do restante dos poemas escritos no árabe clássico, geralmente sem estrofe e longos, a muwaxxaha propiciava intervalos num espaço curto de tempo, com a possibilidade, ainda, de os versos da ‘volta’ funcionarem como refrão, ou mesmo chamamento do refrão. Isso fez com que o poema pudesse ser cantado ou, pelo menos, acompanhado de coro e instrumentos musicais, desde o seu surgimento na Andaluzia, provavelmente, durante os primeiros anos do século X, ou seja, no final do Emirado de Córdova.

 

(CONTINUA EMBAIXO) 



Escrito por Claudio Daniel às 18h35
[   ] [ envie esta mensagem ]




(...) Na qualidade de poesia não-clássica, o zejel foi, na Idade Média, uma novidade das terras muçulmanas da Europa Ocidental, a tradicionalmente conhecida Andaluzia, ou al-Andalus. (...) E o grande mérito de Ibn Quzman foi justamente fazer do dialeto provinciano da Andaluzia uma língua literária alçada à altura do idioma clássico que serviu para a expressão do Alcorão e a maioria da literatura árabe do mundo islâmico medieval. (...) De um modo geral, e esta é a diferença básica dele com relação à estrofe clássica, o zejel estabelece as formas do riso como um primeiro plano da composição. (...) No zejel definido por Ibn Quzman, (...) a ironia estava em em galantear e louvar numa só língua, o árabe vulgar. O zejel da Andaluzia — anticlássico e profano, por assim dizer, por desrespeitar uma das normas fundamentais da lírica tradicional, qual seja, o desacato com relação à língua consagrada pela qasida e pelo Alcorão — teria podido implicar certa autonomia do gênero dentro do quadro lírico islâmico; (...) Contudo, essa autonomia do gênero andaluz de modo algum pressupôs um rompimento com a lírica árabe-islâmica. Ao contrário, o zejel do século XII que se conhece hoje, o de Ibn Quzman, reproduz muitas das convenções da qasida clássica, sem deixar de lado os aspectos estéticos desenvolvidos na escola anterior pelos poetas das cortes de Taifas, que serão retomados numa nova síntese.”

 

(Do livro A poesia árabe-andaluza: Ibn Quzman de Córdova, de Michel Sleiman, ed. Perspectiva, coleção Signos.) 



Escrito por Claudio Daniel às 18h35
[   ] [ envie esta mensagem ]




DE TÁRAFA IBN AL-ABD

 

 

 

1. Os vestígios entre as pedras de Thahmad, Khawla, parecem restos de uma tatuagem no dorso da mão. 

 

2. Detendo as camelas diante de mim, meus companheiros dizem: não morra de tristeza, seja firme!

 

3. De madrugada, os palanquins das filhas de Málik eram como grandes barcos sobre os rios de Dad:

 

4. barcos de Adawli ou de Ibn Yamin, que tanto se extraviam quanto seguem no caminho certo,

 

5. cujo peito fende as vagas como a mão do jogador de fiyal, cortando montículos de areia.

 

 

(Versos iniciais de um poema longo de Tárafa Ibn al-Abd, do séc. V d. C., traduzido por Alberto Mussa e publicado no n. 9 da Coyote.)

 

 

EM TEMPO: saiu uma bela homenagem ao poeta Louis Zukofsky no blog O barco bêbado, editado pelo Nicollas. Confiram! Ah, o endereço está na lista de links, aí ao lado.



Escrito por Claudio Daniel às 10h07
[   ] [ envie esta mensagem ]




A POESIA PRÉ-ISLÂMICA

 

“A poesia pré-islâmica pertence à literatura oral. Como as epopéias homéricas, como muitos livros da Bíblia hebraica, como os próprios poemas hoje recitados no deserto, os antigos beduínos concebiam versos sem o recurso da escrita. Armazenavam esses textos na memória e os transmitiam oralmente a uma cadeia de recitadores que (...) os difundiam entre as outras tribos. Embora o árabe já possuísse uma longa tradição epigráfica, só se pode falar propriamente em literatura árabe a partir da fixação escrita do Alcorão, após a morte do Profeta, em 632. Foram necessários cem anos para que os primeiros compiladores passassem a transcrever a poesia pré-islâmica, conforme recitada pelos beduínos.

 

Entre as diversas coletâneas surgidas mais ou menos a partir de 750, atribui-se a Hammad al-Ráwiya a seleção de sete poemas pré-islâmicos de extensão mais longa, julgados excelentes. Guiado pelo mesmo espírito, Abu Zayd al-Qurachi preparou uma antologia bem maior — a Jamhara al-Achar al-Arab, ‘a coleção dos poemas árabes’. Foi possivelmente na Jamhara que o conjunto recebeu primeiramente o nome de al-muallaqat, ou ‘as suspensas’. A explicação desse título é um tanto lendária, mas dá a exata dimensão da importância desses textos para a cultura literária árabe. (...) No mês da peregrinação a Meca acontecia a feira de Ukaz, onde havia concursos de poesia. Dez (ou sete) dentre os poemas premiados (...) receberam uma honra especial, superior mesmo, ao serem bordados com fios de ouro sobre um manto de púrpura e exibidos sobre a Caaba. Embora hoje não se acredite mais nessa lenda, poucos críticos deixariam de considerar essa antologia — a dos poemas suspensos da Caaba — como o principal modelo da poesia pré-islâmica que a tradição conseguiu conservar. 

 

(CONTINUA EMBAIXO)



Escrito por Claudio Daniel às 09h50
[   ] [ envie esta mensagem ]




Os poemas suspensos pertencem a um gênero ou, mais propriamente, a uma forma poética denominada cassida, caracterizada por uma sucessão ininterrupta de versos de dois hemistíquios que seguem uma única rima e um único metro. Cassida significa 'partida ao meio', precisamente pela obrigatoriedade do verso de dois hemistíquios, que a distingue de um gênero ‘menor’, conhecido como rajaz, composto em versos unitários cujo ritmo corresponde ao andar dos camelos. Sendo o árabe uma língua que distingue vogais longas e breves, a versificação tem por fundamento o pé, que reúne uma combinação particular de sílabas breves e longas, como a métrica do latim e do grego clássicos. 

 

A cassida propriamente dita é formada pela justaposição de peças ou unidades de tema independente. Os filólogos árabes que compilaram e comentaram a poesia pré-islâmica reconhecem, no tipo de cassida em que se inserem os poemas suspensos, três grandes grupos temáticos: a introdução erótica ou amorosa, em que o poeta chega às ruínas do acampamento abandonado pela tribo da amada e começa a recordá-la; a seção intermediária, que narra uma viagem pelo deserto e descreve um cavalo ou uma camela; e o assunto principal, que consiste na mensagem ao destinatário do poema, seja essa uma invectiva ou sátira contra o inimigo, seja o elogio de uma celebridade ou de um patrono. (...) Os poemas suspensos, como as cassidas em geral, falam da mulher que o beduíno ama; da natureza que o cerca; das coisas que lhe são mais caras: a camela e o cavalo; dos prazeres da vida: a caçada, o jogo, o vinho; das qualidades essenciais do homem: generosidade, coragem, lealdade, sabedoria.”  

 

 

(Alberto Mussa, in revista Coyote n. 9, outono/2004)



Escrito por Claudio Daniel às 09h50
[   ] [ envie esta mensagem ]






Escrito por Claudio Daniel às 22h36
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

DUAS POETAS BEDUÍNAS

 

 

Se você não é capaz de dominar a emoção, nem de se consolar,

 

Há inúmeras viagens noturnas de Yalban até al-Uqda, em lombos jovens de camelas magras.

 

Disse eu a um companheiro assustado: preste atenção nos cavalos

 

E chame por um dos grandes quando tiver alcançado o ponto mais alto do mirante, então observe:

 

Verá de imediato, logo abaixo, um cavaleiro vagando.

 

Enfie então o açoite nos flancos arredondados desse puro-sangue, que é como uma camurça de cor cinza;

 

E corra; e afunde nele as pernas até que a água brote e transborde, como da vasilha carregada pela mão esquerda.

 

 

(Poema de Al-Khansa, VI-VII d.C, traduzido por Alberto Mussa. Publicado na revista Coyote n. 13, inverno / 2005)



Escrito por Claudio Daniel às 22h35
[   ] [ envie esta mensagem ]






Escrito por Claudio Daniel às 22h34
[   ] [ envie esta mensagem ]




Nenhum homem é mais astuto que o destino; basta enfrentar os dias para ser vencido.

 

Mesmo os mais fortes, os mais guardados, acabarão por cruzar o caminho da guerra.

 

Previne Hudhlayl (e previne aquele que me denunciará um mensageiro e uma única palavra falsa)

 

Que o Homem do Cão, Amr, nascido da melhor linhagem, está numa cova em Shiriyán e os lobos ululam à sua volta.

 

Ele, cuja lança abria nascentes largas, gorgolejantes, ao sangue escuro das entranhas vertido;

 

Que abandonava o rival, esvaído até a ponta dos dedos, como se tingidos com esse mesmo sangue;

 

Que libertava do cativeiro a virgem livre, exalante o perfume dos punhos da túnica.

 

Divertem-se abutres andando em torno dele, como donzelas em túnicas talares. 

 

 

(Poema de Rayta Ukht Dhu al-Kalb, VI-VII d.C, traduzido por Alberto Mussa. Publicado na revista Coyote n. 13, inverno / 2005)

 

 

 

SOBRE O RITHA

 

Conforme Alberto Mussa, “as poetisas (beduínas) gozavam do mesmo prestígio dos poetas. Embora não houvesse gêneros poéticos exclusivos para cada sexo, as mulheres se destacaram num tipo de composição chamado ritha ou marthiya, uma espécie de elegia fúnebre, que também servia para incitar a tribo do morto à vingança. Era tradição pré-islâmica que as mulheres chorassem e andassem descompostas, arranhando o rosto e jogando areia nos cabelos até que a vingança se cumprisse.”

 

(Extraído da revista Coyote, que publica nessa edição seis poemas de mulheres árabes.)



Escrito por Claudio Daniel às 22h33
[   ] [ envie esta mensagem ]






Escrito por Claudio Daniel às 08h27
[   ] [ envie esta mensagem ]




DO RUBAYAT DE OMAR KHAYYAM (II)

 

XXVI

 

O vasto mundo: apenas

Grão de poeira no espaço.

Toda a ciência dos homens:

Só palavras, palavras.

 

Povos, animais, flores

Dos sete climas: sombras.

Resultado de toda

Tua meditação: nada.

 

 

LV

 

Tu, cuja face humilha

A rosa silvestre: tu,

Cujo rosto semelha

Um ídolo chinês:

 

Sabes que teu olhar

Tornou o rei babilônio

Um bispo de xadrez

Que foge da rainha?

 

 

(Traduções: Manuel Bandeira)



Escrito por Claudio Daniel às 08h25
[   ] [ envie esta mensagem ]






Escrito por Claudio Daniel às 23h31
[   ] [ envie esta mensagem ]




DO RUBAYAT DE OMAR KHAYYAM (I)

IX

 

Em Naishapur ou Babilônia, alguma

Taça, ou amarga ou doce, sempre espuma,

Verte o Vinho da Vida, gota a gota,

Vão-se as Folhas da Vida, uma a uma.

 

 

XXV

 

Ah, vem, vivamos mais que a Vida, vem,

Antes que em pó nos deponham também,

Pó sobre pó, e sob o pó, pousados,

Sem Cor, sem Sol, sem Som, sem Sonho — sem.

 

 

LXV

 

Inferno ou Céu, do beco sem saída

Uma só coisa é certa: voa a Vida,

E, sem a Vida, tudo o mais é Nada.

A Flor que for logo se vai, flor ida.

 

 

(Traduções: Augusto de Campos)



Escrito por Claudio Daniel às 23h27
[   ] [ envie esta mensagem ]




SOBRE O RUBAY

 

A trova popular entre os povos árabes e persas durante a Idade Média foi o rubay, composição breve de quatro versos com as rimas distribuídas no esquema A-A-B-A. Seu cultor mais conhecido foi sem dúvida o persa Omar Khayyam, que viveu no século XII, na cidade de Nishapur. Poeta, matemático e astrônomo, deixou uma coleção de centenas de quadras, reunidas no volume chamado Rubaiyat (termo que designa uma coleção de rubay). No Ocidente, foi traduzido pelo inglês Edward Fitzgerald, pelo francês Franz Toussaint e inúmeros outros, seduzidos por estas peças que celebram o vinho, a mulher e a música, além de colocar em dúvida a idéia de vida após a morte. Para alguns comentaristas, Khayyam foi um hedonista; para outros, um místico sufi que usava imagens de luxúria e embriaguez para representar a experiência espiritual.  No Brasil, foi traduzido por Augusto de Campos (a partir da versão de Fitzgerald) e por Manuel Bandeira (a partir da versão espanhola de uma versão francesa de Toussaint, que não manteve a seqüência de rimas do texto original persa, e por vezes desdobrou o poema em duas ou mais quadras).



Escrito por Claudio Daniel às 23h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




ÚLTIMAS NOTÍCIAS

 

Caros, estarei no programa do Ronnie Von, na TV Gazeta, nesta terça-feira, dia 21 de fevereiro, às 20h30, junto com o Frederico Barbosa, para uma entrevista sobre os 50 anos da Poesia Concreta. O programa vai falar também sobre as atividades da Casa das Rosas, sem dúvida alguma o mais importante centro de divulgação literária do país. Outra coisa: o Ministério da Educação criou o Concurso Literatura para Todos, com o  objetivo de inaugurar uma produção literária específica para jovens e adultos recém-alfabetizados. O concurso visa a democratização da leitura, a constituição de um acervo bibliográfico literário adequado a neoleitores jovens e adultos e a formação de uma comunidade de leitores. Oito obras inéditas de diferentes gêneros literários serão selecionadas e depois distribuídas para os alunos do Programa Brasil Alfabetizado. Cada obra selecionada terá tiragem inicial de 300 mil exemplares, e seu autor receberá um prêmio de R$ 10.000,00. Inscrições: até 16 de março.  Informações pelo site www.mec.gov.br/secad/concursoliterario.



Escrito por Claudio Daniel às 00h05
[   ] [ envie esta mensagem ]




Virna Teixeira, autora de Visita e Distância.

 

AGUAFUERTE

tequila, cerveza e cigarrillos
mescalina, crânios de acúcar

bailavam: uma danza
de serpentes. quadro
espanhol, goya
grotesco
vermelho y negro

desciam a calle
furiosos

pela noite mexicana

 (Poema de Virna Teixeira) 



Escrito por Claudio Daniel às 18h43
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  02/04/2006 a 08/04/2006
  26/03/2006 a 01/04/2006
  19/03/2006 a 25/03/2006
  12/03/2006 a 18/03/2006
  05/03/2006 a 11/03/2006
  26/02/2006 a 04/03/2006
  19/02/2006 a 25/02/2006
  12/02/2006 a 18/02/2006
  05/02/2006 a 11/02/2006
  29/01/2006 a 04/02/2006
  22/01/2006 a 28/01/2006
  15/01/2006 a 21/01/2006
  08/01/2006 a 14/01/2006
  01/01/2006 a 07/01/2006
  25/12/2005 a 31/12/2005
  18/12/2005 a 24/12/2005
  11/12/2005 a 17/12/2005
  04/12/2005 a 10/12/2005
  27/11/2005 a 03/12/2005
  20/11/2005 a 26/11/2005
  13/11/2005 a 19/11/2005
  06/11/2005 a 12/11/2005
  30/10/2005 a 05/11/2005
  23/10/2005 a 29/10/2005
  16/10/2005 a 22/10/2005
  09/10/2005 a 15/10/2005


Outros sites
  Cantar a Pele de Lontra (Arquivos antigos)
  Augusto de Campos
  Haroldo de Campos
  Paulo Leminski
  Arnaldo Antunes
  Frederico Barbosa
  Ademir Assunção
  Ricardo Aleixo
  Virna Teixeira
  Zunái, Revista de Poesia e Debates
  Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil
  Figuras Metálicas
  Marcelino Freire
  Adriana Zapparoli
  Ana Peluso
  Pop Box
  Cronópios
  Revista Mnemozine
  O Pesa-Nervos
  Officina do Pensamento
  Jornal de Poesia
  Germina
  Revista Errática
  Linaldo Guedes
  Caqui (site sobre haicai)
  Correio das Artes
  Museu de Cabul
  Gerald Thomas
  José Kozer
  Herberto Helder
  Maria Esther Maciel
  Fabiano Calixto
  Regina Silveira
  Joca Reiners Terron
  Douglas Diegues
  Dharmanet (site budista)
  Boddhisattva (site budista),
  Templo Zulái
  Sociedade Taoísta do Brasil
  Ramakrishna (filosofia vedanta)
  Azougue Editorial
  Paulo de Toledo
  Marcelo Sahea
  Rodrigo de Souza Leão
  Movimento Literatura Urgente
  Carta de Abu Grahib
  Palavra de Pantera
  A solução é derrubar (blog anti-VEJA)
  Ana Ramiro (Girapemba)
  O barco bêbado
  Claudio Daniel Home Page
  OLOKUM
Votação
  Dê uma nota para meu blog