DOIS POEMAS DE ABREU PAXE

EQUAÇÕES VOCABULARES
arredondadas por defeito as sombras continentes
todos os pólos num tinto luminoso puro sal estes dias
amanhecem no quarto decisivas auto-estradas
talvez o corpo adere às guerras de hospedar
candeeiros a cruz o avô partia cedo do porto aporta
o poema noite em acto contínuo molhava o deserto
em deferido à boca despidos cirros tectos leguminosas
álgebras abertas cicatrizas as cidades e estradas
rosado abril alojou a pomba sacrifício as serras
calculadas ravinas cospem a nudez da órbita lendária
outras línguas distâncias de equações vocabulares
O CORPO DO TEXTO DA CHUVA E DO SOL
as lâmpadas vêem e fendem-se os templos constelações
o local o ponto demência contudo a luz
afinados estigmas luminosos pelo inverso fluía
uma cascata desarranjo manto
este ciclo de luz o lugar o corpo dimensiona a garganta
sem secar a vontade humana
das horas dos dias das semanas dos meses e dos anos
curvas na língua húmida
da outra mão desaguava a geometria azul
da água a Célia saía dum lencinho dominical boca
de cisnes dava corpo espesso ao texto à chuva e ao sol batido
(Do livro A chave no repouso da porta, INIC, Luanda, 2003)
Escrito por Claudio Daniel às 08h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|