Cantar a Pele de Lontra


Uma Thurman, a pin up da Pele de Lontra.



Escrito por Claudio Daniel às 08h27
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O poeta irlandês Willian Butler Yeats (1865-1939)

 

 

SEGUNDA TRÓIA

 

Por que hei de a censurar por ter-me enchido os dias

De miséria, ou por ter em horas não distantes

Ensinado a violência a homens ignorantes

Ou lançado as pequenas ruas contra as grandes,

 

Tivessem a bravura igual à aspiração?

Como traria ela paz com sua mente

Que a nobreza fez simples, simples como o fogo,

Com uma beleza de arco tenso, uma versão

 

Que não é natural em tempo como o nosso,

Por isolada e alta e austera e singular?

Que poderia ela ter feito, sendo o que é?

Havia nova Tróia para ela queimar?

 

(Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos) 



Escrito por Claudio Daniel às 08h23
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ÚLTIMAS NOTÍCIAS

 

Caros, saiu uma matéria na Folha Ilustrada de hoje sobre a última edição da revista Coyote. O autor cita a entrevista com Paulo Leminski, feita por Rodrigo Garcia Lopes, e o meu ensaio Pensando a Poesia Brasileira (usando uma frase fora de contexto, para chegar a conclusão oposta à minha. Coisa de críticos). O artigo cita ainda as traduções do escocês Edwin Morgan, feitas por Virna Teixeira.



Escrito por Claudio Daniel às 13h24
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HINO AO CRÍTICO

Da paixão de um cocheiro e de uma lavadeira
Tagarela, nasceu um rebento raquítico.
Filho não é bagulho, não se atira na lixeira.
A mãe chorou e o batizou: crítico.

O pai, recordando sua progenitura,
Vivia a contestar os maternais direitos.
Com tais boas maneiras e tal compostura
Defendia o menino do pendor à sarjeta.

Assim como o vigia cantava a cozinheira,
A mãe cantava, a lavar calça e calção.
Dela o garoto herdou o cheiro da sujeira
E a arte de penetrar fácil e sem sabão.

Quando cresceu, do tamanho de um bastão,
Sardas na cara como um prato de cogumelos,
Lançaram-no, com um leve golpe de joelho,
À rua, para tornar-se um cidadão.

Será preciso muito para ele sair da fralda?
Um pedaço de pano, calças e um embornal.
Com o nariz grácil como um vintém por lauda
Ele cheirou o céu afável do jornal.

E em certa propriedade um certo magnata
Ouviu uma batida suavíssima na aldrava,
E logo o crítico, da teta das palavras
Ordenhou as calças, o pão e uma gravata.

Já vestido e calçado, é fácil fazer pouco
Dos jogos rebuscados dos jovens que pesquisam,
E pensar: quanto a estes, ao menos, é preciso
Mordiscar-lhes de leve os tornozelos loucos.

Mas se infiltra na rede jornalística
Algo sobre a grandeza de Púchkin ou Dante,
Parece que apodrece ante a nossa vista
Um enorme lacaio, balofo e bajulante.

Quando, por fim, no jubileu do centenário,
Acordares em meio ao fumo funerário,
Verás brilhar na cigarreira-souvenir o
Seu nome em caixa alta, mais alvo do que um lírio.

Escritores, há muitos. Juntem um milhar.
E ergamos em Nice um asilo para os críticos.
Vocês pensam que é mole viver a enxaguar
A nossa roupa branca nos artigos?

 

Vladimir Maiakovsky

 

(Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)



Escrito por Claudio Daniel às 08h21
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  Plastron et fourchette, de Jean Arp.



Escrito por Claudio Daniel às 08h34
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CRÍTICO

 

Eis que me veio uma visita

do tipo (achei) que não me irrita.

O meu jantar não era chique,

mas ele comeu tanto ali que

não sobrou nada em casa, e quando

parou, já quase arrebentando,

o demo o fez sair só para

cuspir no prato em que jantara:
”A sopa estava um arremedo;

a carne, crua; o vinho, azedo.”

Que morra paralítico!

Com mil demônios! Era um crítico!

 

 Johann Wolfgang Von Goethe

 

 

(Tradução: Nelson Ascher)



Escrito por Claudio Daniel às 08h22
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The spirit of our time (Mechanical head), de Raoul Hausmann.



Escrito por Claudio Daniel às 08h27
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O QUE O DIRETOR DISSE A TOM

  

Poesia? É um hobby.

O meu são trens elétricos.

O sr. Shaw ali cria pombos.

 

Não é trabalho. Você não sua

a camisa. Ninguém paga.

Tente anunciar sabão.

 

Ópera é que é arte; ou o teatro.

A Canção do Deserto.

Nancy era do coro.

 

Mas pedir doze libras por semana

— casado, não? —

isso sim é ter peito.

 

Como vou encarar um cobrador

de ônibus

se lhe pagar doze libras?

 

Quem me garante, aliás, que é poesia?

Meu garoto de dez

pode fazer igual, e com rimas.

 

Tiro três mil mais despesas,

carro, benefícios,

mas sou um contador.

 

Fazem o que mando,

é minha firma.

Você, o que faz?

 

Palavrõezinhos, palavrõezinhos,

isso não faz bem.

Vejo um poeta e já quero me lavar.

 

Tudo comuna e viciado,

bando de delinqüentes.

O que você escreve é lixo.

 

O sr. Hynes que me disse, ele entende

disso, é professor.

Anda, arruma trabalho.

  

Basil Bunting (1900-1985)

 

 

(Tradução: Nelson Ascher)



Escrito por Claudio Daniel às 08h23
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E ASSIM EM NÍNIVE

 

"Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba
Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas
E os homens, mirto, antes que a noite
Degole o dia com a espada escura.

"Veja! não cabe a mim
Nem a ti objetar,
Pois o costume é antigo
E aqui em Nínive já observei
Mais de um cantor passar e ir habitar
O horto sombrio onde ninguém perturba
Seu sono ou canto.
E mais de um cantou suas canções
Com mais arte e mais alma do que eu;
E mais de um agora sobrepassa
Com seu laurel de flores
Minha beleza combalida pelas ondas,
Mas eu sou poeta e sobre minha tumba
Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas
Antes que a noite mate a luz
Com sua espada azul.

"Não é, Ruaana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho."

 

(Tradução: Augusto de Campos)



Escrito por Claudio Daniel às 08h28
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