Cantar a Pele de Lontra


HAPPY NEW POETRY

E.P.: autor dos Cantos e de Personae.

 

 

CINO

 

Arre! Já celebrei mulheres em três cidades,
Mas é tudo a mesma coisa;
E cantarei ao sol.

Lábios, palavras, e lhes armamos armadilhas,
Sonhos, palavras, e são como jóias,
Estranhos bruxedos de velha divindade,
Corvos, noites, carícia:
E eis que não o são;
Já se tornaram almas de canção.

Olhos, sonhos, lábios, e a noite vai-se.
Em plena estrada, uma vez mais,
Elas não são.
Esquecidas, em suas torres, de nossa toada,
Uma vez por causa do vento, da revoada
Sonham rumo de nós e
Suspirando dizem, "Ah, se Cino,
Apaixonado Cino, o de olhos enrugados,
Alegre Cino, de riso rápido.
Cino ousado, Cino zombeteiro,
Frágil Cino, o mais forte de seu clã bandoleiro
Que bate as velhas vias sob o sol,
Se Cino do alaúde aqui voltasse!"

 

(CONTINUA EMBAIXO)



Escrito por Claudio Daniel às 08h07
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Uma vez, duas vezes, um ano -
E vagamente assim se exprimem:
"Cino ?" "Oh, eh, Cino Polnesi
O cantor, não é dele que se trata ?"
"Ah, sim, passou uma vez por aqui,
Sujeito atrevido, mas...
(São todos a mesma coisa, esses vagabundos)
Peste! As canções eram dele ?
Ou cantava as dos outros ?
Mas e o senhor, Meu Senhor, como vai sua cidade ?"

Mas e senhor, "Meu Senhor", bá! por piedade!
E todos os que eu conhecia estavam fora, Meu Senhor, e tu
Eras Cino-Sem-Terra, tal como eu sou,
O Sinistro.

Já celebrei mulheres em três cidades.
Mas é tudo a mesma coisa.
E cantarei do sol.
...eh?... a maioria delas tinha olhos cinzentos,
Mas é tudo a mesma coisa, e cantarei do sol.

 

(CONTINUA EMBAIXO)



Escrito por Claudio Daniel às 08h06
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"Pollo Phoibeu, panela velha, tu,
Glória da égide do Zeus do dia,
Escudo d'azul aço, o céu lá em cima
Tem por chefe tua rútila alegria!

Pollo Phoibeu, ao longo do caminho,
Faze do teu riso nossa chanson;
Que teu fulgor ofusque nossa dor,
E que o choro da chuva tombe sem som!

Buscando sempre o rastro recente
Rumo aos jardins do sol...
..............................................
Já celebrei mulheres em três cidades
Mas é tudo a mesma coisa.

E cantarei das aves alvas
Nas águas azuis do céu,
As nuvens, o borrifo de seu mar.

 

(Tradução: Mário Faustino)



Escrito por Claudio Daniel às 08h06
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O poeta norte-americano Ezra Pound (1885-1972)

 

 

CANTO 81

(fragmento)

 

O que amas de verdade permanece,

o resto é escória

O que amas de verdade não te será arrancado

O que amas de verdade é tua herança verdadeira

Mundo de quem, meu ou deles

ou não é de ninguém?

Veio o visível primeiro, depois o palpável

Elíseo, ainda que fosse nas câmaras do inferno,

O que amas de verdade é tua herança verdadeira

O que amas de verdade não te será arrancado

 

(Tradução: Augusto de Campos)  



Escrito por Claudio Daniel às 08h51
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O UIVO DO COYOTE

 

Coyote, revista de literatura e arte editada em Londrina (PR), chega ao seu 13° número trazendo um dossiê dedicado a Paulo Leminski (1944-1989), com entrevista inédita concedida em 1982, crônicas e traduções pouco conhecidas, manuscritos e trechos de obras como Metaformose e Catatau. A revista apresenta também, em primeira mão, a poesia do escocês Edwin Morgan, traduzido e apresentado por Virna Teixeira. Recuando no tempo, Alberto Mussa apresenta quatro poetas beduínas árabes dos séculos 16 e 17, traduzidas diretamente do árabe.  Além das fotos de Edson Kumasaka, que assina a capa, Coyote traz um ensaio de Claudio Daniel sobre a poesia brasileira contemporânea e poemas inéditos de Josely Vianna Baptista. Coyote é editada pelos poetas Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak e Ademir Assunção. Projeto gráfico: Marcos Losnak e Joca Reiners Terron. A periodicidade é trimestral e a distribuição, nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras.

 

Vendas em livrarias ou pelo site

www.iluminuras.com.br

e-mail: revistacoyote@uol.com.br

Contatos: (11) 37313281 e (43) 33343299



Escrito por Claudio Daniel às 08h46
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DOIS POETAS NOVOS

O coágulo ao fundo daquilo que fica

conforma-se à matéria do lagarto

e ao seu interior raio de ação

Como contraponto

a criança levanta-se da bicicleta

 

Em jejum

o lagarto procura na respiração

a sede e o sábado com que abre enfim a flor

 

(Poema inédito de Leonardo Gandolfi)

 

 

GEDACHTNIS      

 

Há sempre certa saudade

 

daqueles tempos separados

 

como palavras

que se trocam

roupas para

(nunca sobre)

sem força

abstrair:

 

resíduo último de tudo que

Sinto

 

 

(Poema inédito de Thiago Ponce de Moraes)



Escrito por Claudio Daniel às 08h12
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ANTICABEÇA (2ª. versão)

apartado de mim; ferocidade;

essa matéria do olhar

atravessando folhas;

cegasse o vento reptante:

replicantes jias, alinhavando deserções.

esses breus, seara difratada

onde retráteis

garras do ínfero.

ao modo de borrão: ambíguo

desgarre, em acúmulo

áspero de grafias.

escavasse desde o centro

em desmedida,

e anulasse as cores da paisagem.

 

***

 

ambivalência do inseto

que se desenha íbis,

amêijoa, escaravelho,  

folhas ou fíbulas, fúrias ou órbitas

insustentáveis

de outra orla, outro círculo

plasmático. tudo está

no dorso da pupila.

 

(Poema inédito de Claudio Daniel, 2005)



Escrito por Claudio Daniel às 08h07
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ANOTE EM SUA AGENDA

A Mulher-Gato não perde um curso da Casa das Rosas...

 

 

OFICINA DE CRIAÇÃO: O SOM E A POESIA

por Frederico Barbosa e Virginia Barbosa

 

Esta oficina, conduzida por uma musicóloga e um poeta, tem como objetivo possibilitar que os participantes, por meio da prática de exercícios lúdicos, se iniciem ou se aperfeiçoem na prática da poesia e da exploração de aspectos sonoros do fazer poético.

 

Quintas-feiras: 12, 19, 26 de janeiro e 02, 09, 16 e 23 de fevereiro, das 19 às 21h

Taxa: R$ 10,00

VAGAS: 50

 

 

TUDO AO MESMO TEMPO AGORA

por Fabiano Calixto

 

Encontros semanais de leitura e discussão de poesia. Os encontros consistem em cada participante levar poemas de autores de seu gosto ou de sua autoria para leitura em voz alta e discussão em grupo. Autores de diferentes épocas, línguas e linguagens; a poesia de encontro com seus leitores. Os leitores em busca da luz da palavra. Misto de grupo de estudo, sarau e oficina.

 

 

Terças-feiras: 10, 17, 31 de janeiro e 07, 14, 21 de fevereiro, das 18 às 20h

Vagas: 20

Taxa: R$ 10,00

 

 

(CONTINUA EMBAIXO)



Escrito por Claudio Daniel às 08h42
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FERNANDO PESSOA E SEUS

HETERÔNIMOS

por Clenir Bellezi de Oliveira

 

Análise da obra do poeta português e suas relações com as vanguardas européias, possibilitando a identificação de cada heterônimo de Pessoa. Além da leitura e interpretação de poemas de cada uma das personalidades poéticas do grande autor português, será feita a leitura e análise de poemas do livro Mensagem, do ortônomo Fernando Pessoa.

 

Quintas-feiras: 12, 19, 26 de janeiro e 02, 09, 16 e 23 de fevereiro, das 16 às 18h

Vagas: 50

Taxa: R$ 10,00

 

 

OFICINA DE TRADUÇÃO DE POESIA

Por Marcelo Tápia

 

Desenvolvido em seis encontros semanais, o Módulo I da Oficina de Tradução de Poesia visa fornecer aos participantes subsídios para a tradução de poemas e para a reflexão acerca dos procedimentos envolvidos nessa atividade. Para tanto, serão discutidos aspectos da linguagem poética e fundamentos de teoria da tradução, e propostos exercícios tradutórios a partir de poemas realizados em diversos idiomas.

 

Sábados 14, 21, 28 de janeiro e  04, 11, 18 e 25 de fevereiro, das 10 às 12h

Vagas 30

Taxa R$ 10,00

 

Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura: Av. Paulista, 37 (Metrô Brigadeiro), São Paulo (SP),  tel.: (11)3285-6986.

Na Internet: www.casadasrosas.sp.gov.br



Escrito por Claudio Daniel às 08h41
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