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ROMPENDO O SILÊNCIO

O poeta Frederico Barbosa
Caros, amanhã (sábado), às 17h, haverá evento imperdível na Casa das Rosas: uma entrevista com o poeta Frederico Barbosa, dentro do ciclo “Rompendo o Silêncio”. Com certeza, estarei presente, para prestigiar o amigo. Para quem não sabe, o Fred é um dos principais poetas brasileiros hoje, autor de livros como Rarefato, Nada Feito Nada e Contracorrente, além de antologias de Camões, do Padre Vieira e da poesia clássica brasileira. Organizei com ele Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil, para a Landy. Aliás, o Fred dirige, para esta editora, a coleção Alguidar, que já publicou títulos como A Regra Secreta, de Sebastião Uchoa Leite, e Ciao Cadáver, de Delmo Montenegro. Em 2004, junto com Fred, Nelson e Marcelino, ajudei a organizar o evento Encontros de Interrogação, no Itaú Cultural, que reuniu cerca de cem poetas e prosadores brasileiros num encontro memorável. Neste ano, o brother assumiu um projeto não menos ambicioso: dirigir a Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, e transformá-la num centro de referência no campo da divulgação literária no Brasil, com oficinas, cursos de formação, recitais e outras atividades periódicas. Por essas e outras, o Fred, sozinho, vale mais que todos os cadernos literários e academias de letras do país, juntos.
Em tempo: confiram a matéria que publiquei em minha coluna no site Cronópios sobre a poesia de Paul Celan e Herberto Helder.
Escrito por Claudio Daniel às 08h07
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(William Carlos Williams, 1883-1963)
O POEMA
Está tudo no som. Uma canção. Raramente uma canção. Deveria
ser uma canção – feita de
particulares, vespas uma genciana – algo imediato, aberto
tesouras, os olhos
de uma moça – ao despertar centrífugos, centrípetos
THE POEM
It’s all in the sound. A song. Seldom a song. It should
be a song – made of particulars, wasps, a gentian – something immediate, open
scissors, a lady’s eyes – waking centrifugal, centripetal
(Poema de William Carlos Williams, traduzido por Virna Teixeira. Leia mais na próxima edição da Zunái, saindo do forno...)
Escrito por Claudio Daniel às 08h39
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UMA CONVERSA COM JOSÉ KOZER
Como foi que um cubano, filho de judeus imigrados da Europa Oriental, se aproximou do zen-budismo e da cultura oriental? O que isso trouxe para a sua poesia e a sua vida?
Kierkegaard diz que das três altas categorias do pensamento, e por fim, do acesso a Deus, a mais baixa é a estética, um degrau acima a ética, e no mais alto o degrau religioso. Falhou para mim o Mestre Soren. Estas categorias se dissolvem entremescladas, e o estético está marcado por uma ética como a ética não é de todo separável do religioso. Não se trata, querido Kirkegaard, de uma ordem piramidal, com elementos superiores e inferiores, mas de um entremesclamento das categorias que, nada claras, nada aclaram. Tudo pura luta, busca interminável. Assim, fazendo poemas, foi que me fiz amante do zen-búdico. Não sou adepto, não tive Roshi ou Mestre zen (meu zen não teve senso), mas sim percorri, pluma na mão, o jardim até o satori (que por suposto jamais alcancei): eu o percorri, e o percorro, a partir de uma fiação de poemas “espirituais” onde se juntam a mim, ou ao poema, fundamentos estéticos que, repito, são éticos e religiosos. Este judeu que sou se suaviza com o roçar zen-budista, que permite ao poema uma diafaneidade que não vejo no judeu: um poema judeu, em meu modo de ver, está cheio de excrescências, de manchas, tem rasgos e fiapos, solta gotas de sangue: um poema de tonalidade oriental é límpido, se aproxima do imaculado da quietude. Eu preciso fazer ambos tipos de textos: quase que os alterno. Num se expressa uma desavença comigo mesmo, em outro se confirma a postura de lótus que, concentrado, respira junto, respira suavidade. Este alternar, de algum modo, e desde a continuidade de meu trabalho, tem sido minha fonte de saúde: sou de corpo frágil, mas estes poemas me deram fortaleza.
(Fragmento de uma entrevista com o poeta cubano José Kozer, que será publicada na edição de dezembro da Zunái.)
Escrito por Claudio Daniel às 08h28
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Cloto, tela de Anasor ed Searom.
Escrito por Claudio Daniel às 08h21
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ESCULTURA
Toda aproximação entre corpos
se faz com uma navalha
nas mãos
e a jeune fille emerge do fundo
como a imagem recortada
de uma gravura
em papel
mas se a navalha
realiza a carne num gesto de
arrebatamento
ela não menos
talha
a pele
– superfície extensa
que recobre os nervos –
e expõe camadas de
músculos
(CONTINUA)
Escrito por Claudio Daniel às 08h21
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sob a égide da navalha
toda aproximação é
corte
ferida
por onde o sangue
destila silêncio
em gotas de
arsênico
(Poema inédito de Izabela Leal. Leia mais peças da autora carioca na edição de dezembro da Zunái, em breve no ciberespaço.)
Escrito por Claudio Daniel às 08h20
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Henri Michaux (1899-1984)
Labirinto, a vida, labirinto, a morte Labirinto sem fim, diz o Mestre de Ho.
Tudo afunda, nada libera O suicida renasce para um novo sofrimento.
A prisão termina em uma prisão O corredor termina em outro corredor:
Aquele que crê desenrolar o rolo de sua vida Não desenrola nada em absoluto.
Nada desemboca em nenhuma parte Os séculos vivem também sob a terra, diz o Mestre de Ho.
Labyrinthe, la vie, labyrinthe, la mort Labyrinthe sans fin, dit le Maître de Ho.
Tout enfonce, rien ne libère. Le suicide renaît à une nouvelle souffrance.
La prison ouvre sur une prison Le couloir ouvre un autre couloir:
Celui qui croit dérouler le rouleau de sa vie No déroule rien du tout.
Rien ne débouche nulle part Les siècles aussi vivent sous terre, dit le Maître de Ho.
(Poema de Henri Michaux, traduzido por Daniela Osvald Ramos. Leia mais na edição de dezembro da Zunái, que em breve estará
on line.)
Escrito por Claudio Daniel às 09h09
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