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DE OS IMPROVISOS SOBRE LEONARDO
Como dis-
correr sobre
ambos dis-
cernir entre
ambos os
corpos des-
emaranhar ambos
como des-
enhar ambos
como des-
entranhar des-
se todo
a parte
(Poema de Michael Palmer, traduzido por Nelson Ascher)
ANOTEM: Na segunda-feira, dia 05 de dezembro, às 20h, será lançado Céu Acima, organizado por Leda Tenório, livro-homenagem a Haroldo de Campos, com ensaios e poemas dedicados ao poeta. O lançamento será no Instituto Tomie Othake, Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, SP. Este será um dos eventos literários mais importantes do ano. Quem faltar, renascerá como caracol nas próximas 25 encarnações, disse o sábio Huey Hu Hu. Vejo vocês lá!
Escrito por Claudio Daniel às 08h38
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Retrato de Bessie Bruce, de Kokoschka.
Simone Homem de Mello publicou na revista eletrônica Trópico um ensaio bem interessante sobre três poetas contemporâneos de língua alemã: Thomas Kling, Raoul Schrott e Bárbara Kohler. Confiram a matéria na página http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/1625,1.shl. A autora, aliás, lançará o livro de poemas Périplos, pela editora Ateliê, em dezembro, na Pinacoteca do Estado. Aguardem mais informações aqui na sua Pele de Lontra. Confiram abaixo um poema do maluco dadaísta Tristan Tzara:
Escrito por Claudio Daniel às 10h23
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O poeta francês Tristan Tzara (1896-1963)
na escapada
o mundo
um chapéu com flores
o mundo
um anel feito por uma flor
uma flor flor para o buquê de flores flores
uma cigarreira repleta de flores
uma pequena locomotiva com olhos de flores
um par de luvas para as flores
na pele de flores como nossas flores flores de flores
e um ovo
à l´échappée
le monde
un chapeau avec des fleurs
le monde
une bague faite por une fleur
une fleur fleur pour le bouquet de fleurs fleurs
un porte-cigarette empli de fleurs
une petite locomotive aux yeux de fleurs
une paire de gants pour des fleurs
en peau de fleurs comme nos fleurs fleurs de fleurs
et un oeuf
(Poema de Tristan Tzara, traduzido por Virna Teixeira)
Escrito por Claudio Daniel às 10h22
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COMPARSAS

Os poetas e friends Fabiano Calixto, Delmo Montenegro, Virna Teixeira e André Dick, no evento Encontros de Interrogação, realizado no Instituto Itaú Cultural, em 2004.
Escrito por Claudio Daniel às 14h29
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A MORTE DOS OLHOS
Carne e unha do segredo a pele, um labor fluente, réstia de ossos clarividentes: o extremo é quando a morte em peso vibra como vibra o gesto posto à prova, a toda prova, um sopro escuro no coração da fala, um beijo sonoro como foice, elipse, quando rola o olho no avesso do sonho e floresce a pele nuamente e sua cara-metade, o osso erguendo a carne em toldo: a carne que se descola e voa.
(Poema de Contador Borges, do livro inédito A Morte dos Olhos.)
Escrito por Claudio Daniel às 08h23
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ANTICABEÇA
(pensando em Tristan Tzara)
apartado de mim; ferocidade; repasto de réptil.
essa matéria do olhar atravessando folhas;
cegasse o vento côncavo ainda,
ao modo de borrão:
ambíguo desgarre,
em acúmulo áspero de grafias.
escavasse desde o centro em desmedida,
e dissolvesse as cores da paisagem.
(Poema inédito de Claudio Daniel)
Escrito por Claudio Daniel às 08h22
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FIQUE DE OLHO!

Tela de Magritte.
Caros, amanhã, terça-feira, o poeta pernambucano Delmo Montenegro estará lançando Ciao Cadáver, a partir das 19 horas, na Casa das Rosas. Estarei lá para dar um abraço no amigo. Outra: no dia 05 de dezembro, será lançado Céu Acima, organizado por Leda Tenório, um livro-homenagem ao poeta Haroldo de Campos, com ensaios e poemas dedicados ao titã concreto. Colaboram na coletânea autores como Affonso Ávila, Charles Bernstein, Eduardo Milán, Gerald Thomas, Horácio Costa, José Kozer, Josely Vianna Baptista e Luís Costa Lima, entre outros (incluindo este que vos fala). O lançamento será no Instituto Tomie Othake, Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, São Paulo, tel. (11) 2245-1900. Ah, recebi pelo correio o livro de contos A Cidade Devolvida, do Whisner Fraga, que saiu pela 7 Letras. Já publiquei um conto do autor, bem interessante, na Zunái. Por fim, confiram abaixo um poema do alemão genial Kurt Schwitters:
Escrito por Claudio Daniel às 08h25
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ANAFLOR
Ó amada dos meus vinte-e-sete sentidos, eu
te amo! — Tu, te, ti, contigo, eu, te, tu, me.
— Nós?
Isto (de passagem) não vai bem aqui.
Quem és tu, mulher inumerável? Tu és
— és? — Eras, andam dizendo, — deixa
que digam, nem sabem em que pé
está o campanário.
Chapéu nos pés, caminhas sobre as mãos,
volante sobre as mãos.
Olá, pregas brancas serram tua roupa rubra,
Rubroteamo Anaflor, em rubro te me amo! — Tu
teu te a ti eu te, tu me. — Nós?
Isto (de passagem) lança-se à brasa fria.
Rubraflor, rubra Anaflor, que andam dizendo?
Adivinha: 1) A doidiv’Ana tem uma ave.
2) Anaflor é rubra.
3) E a ave? Quem sabe?
(CONTINUA)
Escrito por Claudio Daniel às 08h24
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Azul é a cor dos teus cabelos louros.
Rubro é o arrulho de tua ave oliva.
Tu, criatura simples num vestido cotidiano, bem-amado
animal verde, eu te amo! — Tu te ti contigo, eu
a ti, tu a mim, — Nós?
Isto (de passagem) vai para o braseiro.
Anaflor! Ana, a-n-a, gotejo teu
nome. Teu nome em gotas, tenra gordura bovina.
Sabes, Ana? Já o sabes?
De trás para diante podes ser lida, e tu
a mais bela de todas, para trás
ou para diante
serás: a-n-a.
Gordura bovina goteja ternura em meu dorso.
Anaflor, animal gotejante, eu te me amo.
(Tradução: Haroldo de Campos)
Escrito por Claudio Daniel às 08h22
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