Cantar a Pele de Lontra


CARTA DE ABU GRAHIB

Estamos assistindo ao surgimento de uma nova manifestação autoritária, ainda mais ameaçadora pelo fato de se estabelecer num país com real capacidade de destruição em massa, e que coloca sua vontade de império acima dos mais elementares direitos humanos, consagrados aliás em sua Constituição e na Carta da ONU. Esta não é a América de Walt Whitman. Esta não é a América de Allen Ginsberg. Esta é a América de George W. Bush.

 

  

(Trecho da Carta de Abu Grahib, um manifesto de escritores que organizei em 2004, junto com a Ana Peluso, contra a invasão do Iraque. Confira na lista de links aí ao lado.)



Escrito por Claudio Daniel às 15h05
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Lex Luthor só resenha livros de poesia de seus amigos.



Escrito por Claudio Daniel às 08h38
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MEMÓRIAS DE UM AMNÉSICO, PARTE DOIS

 

Por que escrevemos poesia, carajo? Um velho feiticeiro apaixonado pela China dizia que o sentido da criação poética é revitalizar a linguagem, evitar que ela fique obsoleta, investindo na constante renovação dos processos. Make it new, glosando o sábio Confúcio. E uma dama que parecia mancebo e amava palavras e rosas disse o seguinte:  “escrevo para mim mesma e para as pessoas esquisitas”. Gosto das duas respostas, e mais até da segunda. Outra definição que me agrada é a de um americano bêbado e louco, que fumava haxixe e perdia até as calças nas mesas de jogo. Dizia ele: “poesia é a  construção precisa do impreciso”. A forma pode ser rigorosa, calculada; mas aquilo que o poeta diz não precisa limitar-se ao retrato de um cotidiano banal, porque previsível; um bom poema cria um novo universo, ainda que impreciso; funda uma outra ordem de coisas, mimetizando o desejo de construir novas realidades. Em minha poesia, há o exercício consciente, planejado, da escritura; eu penso na forma do poema antes de escrevê-lo, escolho as palavras, imagino o design, os recursos lingüísticos que vou empregar, enfim, eu sonho o poema antes de escrevê-lo. Porém, eu confesso que não teria a menor vontade de escrever se não fosse por uma necessidade vital: a de registrar a minha subjetividade, as minhas obsessões. Escrever poemas, para mim, é uma necessidade quase biológica, como me alimentar, defecar ou trepar. Lembre-se que a poesia é a-sistemática: ela surge quando quer, e não quando nós queremos. 

 

 

ADENDO: George Bush estará no Brasil para defender projetos contrários aos interesses dos brasileiros, como a ALCA. Haverá atos de protesto contra a visita deste senhor. Em São Paulo, será no dia 05 de novembro, sábado, às 14h, no vão do Museu de Arte de São Paulo. Quem puder, compareça.



Escrito por Claudio Daniel às 08h38
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Hera Venenosa: musa da crítica literária nacional.



Escrito por Claudio Daniel às 08h37
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MEMÓRIAS DE UM AMNÉSICO, PARTE UM

 

A poesia que me interessa é aquela situada na fronteira entre síntese e excesso, geometria e alucinação, equilíbrio e fala furiosa. Um bom poema, para mim, seduz pela estranheza, deixa-nos excitados, hipnotizados, numa espécie de torpor, sem conseguirmos decifrar plenamente o seu sentido. É preciso que haja uma zona de permanente desconhecimento, que desafie nossa mente e sentidos, para a incessante e perplexa releitura. Quando o poema não causa nenhum abalo, não perturba, não motiva certo desespero, ele não me diz nada; pertence à luz do dia, ao cotidiano, a certa normalidade que não me diz respeito, a não ser pelas tarefas imprescindíveis da sobrevivência.

 

A poesia, para mim, é um ato de vampirismo. O poeta, assim como o nosferatu, precisa nutrir-se de novas células sanguíneas para renascer e rejuvenescer.  Em nosso caso, esse fluido vital é a palavra. Para manter a linguagem viva, eficiente, é preciso buscar vocábulos, construções e processos criativos que não estejam exauridos pela incessante repetição. Buscar outros repertórios, outras técnicas e recursos, em nossa literatura e também na de outras latitudes e idiomas, é essencial para que a poesia não adoeça, como o vampiro que, por engano, bebeu sangue coagulado.

 

O diálogo com a tradição é essencial para o fazer poético, mas é preciso reconhecer, no repertório clássico ou moderno, aqueles recursos que ainda são instigantes, por não terem sido completamente assimilados; buscar aquilo que permanece desconhecido ou misterioso, e que por isso mesmo mantém vitalidade, descartando as práticas verbais que pelo uso continuado se tornaram prosaicas como um lugar-comum.

 

 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

 

O poeta, músico, artista plástico (e muitas outras coisas) Ricardo Aleixo publicou uma bela matéria sobre o meu Figuras Metálicas, em seu Jaguadarte (ver o link aí ao lado). Vindas de um artista como ele, essas palavras me tocam  fundo. Gracias, brother. 



Escrito por Claudio Daniel às 08h36
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SPYDERMAN, SPYDERMAN...

 

 

Nosso herói salva Mary Jane de uma gangue

de poetas marginais no Rio de Janeiro.



Escrito por Claudio Daniel às 08h32
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BESTIÁRIO

 

No ano 2136 a.C. um dragão chinês tentou devorar

o Sol. Um grego Ctésias registra que o unicórnio é

branco, tem a cabeça púrpura e os olhos azuis.

No Tibete, ninguém duvida do Yeti.

Até hoje, o Pé Grande, a serpente de Loch Ness

e o homem-orangotango de Sumatra

continuam à solta.

Mas há quem diga que a poesia morreu.

 

(Poema de Luiz Roberto Guedes.)



Escrito por Claudio Daniel às 08h31
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É UM PÁSSARO? UM AVIÃO?!

 

 

Clark Kent sai correndo para lutar contra terríveis seres mutantes, para não ter de ouvir outro poema-crônica-de-jornal, do tipo “ontem fui à padaria, comprar pão e mortadela”.  



Escrito por Claudio Daniel às 08h30
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PIADA MORTAL

 

 

 

Nem o Coringa agüenta mais poema-piada: “No Asilo Arkham só tem poetas humoristas, assim eu vou enlouquecer”, declarou o conhecido malfeitor em entrevista para a Folha de Gotham.



Escrito por Claudio Daniel às 11h21
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VAN GOGH

 

Este homem vem de um país
onde tudo fica exposto
como girassóis e lábios.
Mesmo ocultar-se, por lei,
é revelar no contrário
o excesso das florações
da terra semente cor.
O sol nunca se põe, lá,
Horizonte a própria mão
Abrindo-se em muitos rios
E raios que nos comungam
Em líquida lucidez.

 

(Poema de Moacir Amâncio)

 

 

Em tempo: confiram alguns de meus poemas traduzidos ao espanhol pelo poeta cubano Jesús Barquet, na revista eletrônica Decir del Água, com ilustrações da artista plástica Anasor ed Searom, em http://www.decirdelagua.com 



Escrito por Claudio Daniel às 08h33
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